sábado, 3 de outubro de 2009

Odeio ver essa janelinha em branco.

Acho que é porque isso quer dizer que minhas ideias andam indo pelo mesmo caminho.

Sem mais.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

And time goes by.

- Você já foi melhor.

- Você também.

...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Evening Elegance

Dá aflição ver essas teias de aranha, essa página ressecada, essas cores pálidas; mas às vezes simplesmente não dá pra fazer nada contra. As ideias fogem e quando a gente tenta correr atrás delas acaba tropeçando em outras ideias. Que fogem. E quando a gente tenta correr atrás delas, acaba tropeçando em outras ideias... E daí pra diante.

Hoje na volta pra casa, parada no trânsito caótico de São Paulo, eu enfiei os fones no ouvidos mas não quis abrir o livro pra ler. Porque eu estava pensando e, tá, eu sei que pra pessoas como eu pensar dá um pouquinho de trabalho, mas enfim... Eu estava pensando em coisas que não me deixariam me concentrar no livro.

É engraçado porque às vezes dá vontade de olhar pras pessoas na rua e descobrir o que tem ali dentro de cada uma. Hoje eu esqueci tudo que me incomodava pra olhar pra fora e ver os outros. Sabe quando tudo te diverte/inspira de algum jeito? O reflexo do celular do cara da frente no vidro, e ele achando que ninguém poderia ver o que ele estava escrevendo. A moça que trocou de lugar com uma outra só pra deixá-la perto da amiga (aliás, a moça era tão magrinha). A outra moça bonita que queria que tivesse um ponto de ônibus bem na frente da casa dela pra não ter que andar o quarteirão de volta.

Não, não penso as coisas pra terem sentido. Não digo coisas com sentido, não sonho coisas com sentido e nem faço muita coisa, absolutamente, com sentido algum. Só... as coisas acontecem, os pensamentos surgem, as frases saem antes que eu possa contê-las e os sonhos... bom, eles fazem parte do subconsciente. Não sei o sentido da vida, do universo e tudo mais. Não preciso de sentido pra viver, embora quase me enlouqueça não saber se existe algum.

Não vivo com sentido e nem preciso de sentido pra viver, só vivo. Vivemos, seres humanos. Até onde eu sei. Não que eu saiba muito.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Metáforas

É engraçado como a gente usa metáforas pra se expressar, o tempo todo.

No meu último aniversário (há cinco meses e onze dias, exatamente) ganhei da minha mãe entre trocentos livros um tal de “Tudo bem não alcançar a cama no primeiro salto (e outras lições de vida que aprendi com os cães)”, do John O’Hurley, que é ator mas eu não sabia até hoje de manhã. Não tem nada de literatura profunda, como dá pra perceber pelo nome, mas é bem engraçadinho e leve. Especialmente pra ler no ônibus no trânsito dessa cidade caos.

O livro é cheinho de metáforas. O autor compara as atitudes dos cachorros que ele teve com as de seres humanos, e vai contando episódios da vida e tipo, “o que aprendi com o cão tal no dia tal”. E isso me fez pensar em como a gente faz isso o tempo todo. Faz um certo tempo, li que se envolver com alguém era pular de um abismo e tentar voar. E, se a relação desse certo, o voo teria sido um sucesso. No livro dos cachorros, cada tentativa é um salto. Se a gente não consegue de primeira, tenta de novo, acha outro caminho, espera mais um pouco e para pra pensar.

Teve uma vez também que prometi aqui tentar entender mais as metáforas dos outros, ou usar mais metáforas, alguma coisa do tipo. É curioso, mas acho que , se você não entende, é porque não era feito pra você entender mesmo. Acabei me conformando em não entender certos usos e invencionices. Talvez nem me conformando, mas me acostumando. Vira e mexe alguém revira os olhos pra cima, olha pra mim e me diz que eu não entendo nada. Natural.

Há metáforas puras e impuras, li num site sobre a língua portuguesa. No colégio, ninguém nunca tinha me dito isso. Tudo se resumia a “Fulano é uma raposa”, que é metáfora, em oposição a “Fulano é esperto como uma raposa”, que é comparação. Tem Camões com "Amor é fogo que arde sem se ver" e Drummond com “O tempo é uma cadeira ao sol, e nada mais”, também. De qualquer forma, deve ser melhor viver as metáforas do que tentar entendê-las. A vida é um ponto de interrogação, sabe?

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cansei.

Cansei de tanta gente, de tanta coisa, de tantos lugares vividos e passados. Cansei de me cansar, cansei de ser a mesma mas cansei de tentar mudar, cansei de conversar sobre estarmos tão cansadas. Cansei de faculdade, de TCC, de mil novecentos e bolinha. De café frio, de msn, de saudade e de ignorância. Cansei de dizer abobrinhas, cansei de me importar com o que as pessoas pensam de mim. Cansei de me importar com algumas pessoas.

Cansei de gente louca, cansei de ofensa, cansei de ser boazinha demais. De Ruffles, suco e chocolate. Cansei desse post aí de baixo, cansei do que eu escrevo. Cansei de reclamar, de pedir ajuda, de oferecer. Cansei de esperar as coisas caírem do céu. Cansei de carne moída com purê de batata e até de morango com açúcar.

Cansei de reclamar de estar cansada.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Retrato

O esmalte vermelho estava ainda fresco, tanto quanto a brisa que soprava lá fora. Os olhos marejados contemplavam a chuva que já não caía mais, e as palmas quentes se sujeitavam ao ar frio que vinha da janela aberta.

Ar puro. Inspirou o mais fundo que pôde, esquecendo a tosse que roncava no peito havia alguns dias. Havia muito mais lhe apertando o peito que a tosse seca de outono. A armação prateada dos óculos estava prestes a se partir, observou. Precisava ir até a ótica. “Armação”. A palavra em letras cursivas desenhou-se na tirinha de papel afixada com imã na geladeira, conduzida por uma ponta de grafite extremamente fina. Extravagâncias.

Extravagâncias. Sobre a mesa posta do café da manhã, despertava a pizza de rúcula, tomates secos e mussarela de búfala do dia anterior. Intocada. Faltava-lhe apetite, paladar, sabor, cor. Vida.

O toque estridente do telefone celular era inconfundível. Uma. Duas. Três. Quatro vezes. “Uma chamada perdida”, diziam os caracteres brancos na tela pequena de fundo azul. Impassividade.

A dor, a consciência, a vontade e o orgulho sombreavam a existência, quase que a ocultavam. Na sala, no apartamento gelado, na cidade acinzentada, na face da Terra, tudo se movia alheio à vontade daqueles olhos marejados, daqueles dedos com esmalte vermelho, daquele aperto no peito.

Quem reinava, soberana, era ausência. De apetite, de paladar, de sabor, de cor, de vida. Dela mesma.

domingo, 17 de maio de 2009

Smile like you mean it.

Ela não sabia sorrir.

Ela não sabia sorrir em fotos, nem rir de piadas, nem cumprimentar os outros mostrando os dentes. Não ria da vida nem para a vida, não ria dos outros, não ria dela mesma.

Só sabia se enfiar nas desgraças que tinha construído com tanto esforço e só queria chamar a atenção do mundo chorando pelos cantos. O máximo que ela conseguia era esboçar um sorriso de canto de boca, às vezes, ou fazer caretas. Quando não conseguia, ela simplesmente virava o rosto.

Como é que ela queria tanto ser feliz sem saber sorrir?

Juro que não entendo gente que não sabe sorrir.



Ps - E aí eu entro no Orkut e ele me diz "Smile. That's all". =)